sábado, 8 de setembro de 2012

Após uma oficina e duas apresentações emocionantes de JEX realizadas em maio para professores com a parceria entre a Oficina Cultural Luiz Gonzaga e o CIJASA Santo Agostinho e Escola D. Pedro em  São Miguel, me despedi momentaneamente deste trabalho para me dedicar ao fim da minha gravidez e início da vida de meu primeiro filho.
Fica na memória estes encontros incríveis com as coordenadoras dos três espaços, Sueli, Dagmar e Luciana e com seus educadores. Fica presente a confiança no papel imprescindível da educação e a crença de que é possível, sim, fazer melhor. Encontrei educadores curiosos, questionadores, apaixonados, persistentes ainda que às vezes sufocados por todo o nosso sistema educacional ainda tão precário. Mas durante a oficina e as apresentações de JEX pudemos construir juntos um espaço de reflexão e poesia pura.
Agora dedico-me ao espetáculo de uma maneira nova: preparo a atriz Nathalia Pagliuso para me substituir enquanto me ocupo do meu pequeno. Poder olhar para este trabalho do lado de fora tem feito o mesmo amadurecer bastante.
Partimos neste mês para São José do Rio Preto, para mais um novo desafio. Obrigada Nath pelos dias lindo ensaiando aqui em casa.
Cecília

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O começo de tudo


 

Há treze anos, quando participava como educadora do projeto Carapuruhy, da CECAE-USP, havia proposto realizar um trabalho de alfabetização na comunidade 1º de maio (local escolhido para o primeiro programa de Extensão da Universidade de São Paulo). No entanto, ao deparar-me com a realidade local percebi que as demandas eram outras. Assim, fui incumbida de coordenar junto com outros educadores o Núcleo de Jovens que tinha a expectativa de discutir o tema da violência. Sensibilizada pelo pedido comecei a trazer textos e imagens para reflexão sobre o tema escolhido. Após algumas semanas o grupo decide montar uma peça sobre o tema. Assustada pela inexperiência com a linguagem, resolvi inscrever-me em uma oficina de Teatro. Hoje, ao olhar para trás, sei que foi ali que escolhi partir em busca da nova profissão: a de atriz. 

Viajei então à Alemanha para estudar no Instituto de Artes e Pedagogia de Witten Annen, onde realizei minha formação como Atriz e Pedagoga do Teatro.  Lá participei de diversos cursos e workshops para atores, atuei em diversos espetáculos e, ao voltar, complementei minha formação de atriz na Escola Livre de Teatro de Santo André. No Brasil atuei e atuo em diversos espetáculos além de trabalhar como artista orientadora em diversos programas públicos. 

Em 2008 ingressei na formação de “Dramaterapia” da Associação Sagres onde realizei um solo autobiográfico, como conclusão desse curso. Lá encontrei o nervo central para minha futura dramaturgia - o sistema educacional – e suas ramificações – o medo e a violência. Recebi de minha mestra - a atriz e dramaterapeuta Jessica Westkamp - o conto “O Rato Saltitante”, que é o fio condutor para a criação deste trabalho. em 2011 participei do Núcleo de Direção da ELT – coordenado por Luiz Fernando Marques. Neste momento firmei uma parceria com esse diretor, dramaturgo, artista e companheiro de tantas outras caminhadas. Foi ele que orientou o processo inverso daquele de onde parti: desta vez, como atriz, vou ao encontro da comunidade, para através da arte teatral propor um diálogo a muito tempo necessário: o do lugar do educador em nossa sociedade.