Há treze anos, quando participava como educadora do projeto Carapuruhy, da CECAE-USP, havia proposto realizar um trabalho de alfabetização na comunidade 1º de maio (local escolhido para o primeiro programa de Extensão da Universidade de São Paulo). No entanto, ao deparar-me com a realidade local percebi que as demandas eram outras. Assim, fui incumbida de coordenar junto com outros educadores o Núcleo de Jovens que tinha a expectativa de discutir o tema da violência. Sensibilizada pelo pedido comecei a trazer textos e imagens para reflexão sobre o tema escolhido. Após algumas semanas o grupo decide montar uma peça sobre o tema. Assustada pela inexperiência com a linguagem, resolvi inscrever-me em uma oficina de Teatro. Hoje, ao olhar para trás, sei que foi ali que escolhi partir em busca da nova profissão: a de atriz.
Viajei então à Alemanha para estudar no Instituto de Artes e Pedagogia de Witten Annen, onde realizei minha formação como Atriz e Pedagoga do Teatro. Lá participei de diversos cursos e workshops para atores, atuei em diversos espetáculos e, ao voltar, complementei minha formação de atriz na Escola Livre de Teatro de Santo André. No Brasil atuei e atuo em diversos espetáculos além de trabalhar como artista orientadora em diversos programas públicos.
Em 2008 ingressei na formação de “Dramaterapia” da Associação Sagres onde realizei um solo autobiográfico, como conclusão desse curso. Lá encontrei o nervo central para minha futura dramaturgia - o sistema educacional – e suas ramificações – o medo e a violência. Recebi de minha mestra - a atriz e dramaterapeuta Jessica Westkamp - o conto “O Rato Saltitante”, que é o fio condutor para a criação deste trabalho. em 2011 participei do Núcleo de Direção da ELT – coordenado por Luiz Fernando Marques. Neste momento firmei uma parceria com esse diretor, dramaturgo, artista e companheiro de tantas outras caminhadas. Foi ele que orientou o processo inverso daquele de onde parti: desta vez, como atriz, vou ao encontro da comunidade, para através da arte teatral propor um diálogo a muito tempo necessário: o do lugar do educador em nossa sociedade.
